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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Rir é o Melhor Remédio (ou pelo menos ajuda)


Um dia destes vivi uma das situações mais embaraçosas de sempre. Até já tive pesadelos do género, mas desta vez foi mesmo a sério.



Ora, seria de esperar que uma rapariga que já fez centenas de análises, consultas e exames embaraçosos e invasivos nos últimos dois anos estivesse preparada para mais aquele exame.



Mais uma TAC, nada de especial.

Mas quando o técnico me traz uma bata de pano curtinha, e me diz para ficar apenas de roupa interior e sapatos é que se deu o clique. Carla, não fizeste a depilação.









A sério? - dizia para mim mesma no gabinete. Eu já suava.

Depois pensei: vou entrar ali como se nada fosse. Pode ser que a sala seja escura.



Qual quê! Aquelas lâmpadas potentíssimas na sala permitiam ver de forma exemplar toda e qualquer fibra de pó no ar, quanto mais a quantidade fantástica de folículos pilosos dos meus membros inferiores.



Deitei-me e fiz o exame. Aquele anel gigante do tomógrafo nem me pareceu tão assustador desta vez. Só pensava em sair dali o mais depressa possível.

O exame acaba e vem uma técnica ter comigo para me ajudar a descer do aparelho. Eu ali estendida naquela triste figura: bata de pano reduzida, pernas peludas e sapatos calçados (os sapatos ainda tornavam a cena mais caricata)... de repente defini a minha estratégia: Carlinha, vais-te levantar de queixo erguido e caminhar para fora da sala como se envergasses o último grito da moda.



E assim foi. A tipa ainda fitou a zona crítica (vulgo, os membros hirsutos) por dois segundos (que pareceram mais longos que todas as temporadas do Doctor Who juntas), mas eu perguntei olhando-a nos olhos se estava tudo bem e se me podia vestir.



Caminhei para o gabinete com a postura estóica combinada mentalmente e vesti-me finalmente. Não me lembro bem dos instantes seguintes passados naquele exíguo espaço, mas lembro-me que proferi uns espécimes de vernáculo bem cabeludos, capazes de deixar orgulhoso qualquer líder de claque de futebol.



Enfim, pode ser que um dia ainda me venha a rir disto.




: : : : : : : : : 




Depois veio o resultado da TAC.

Finalmente tenho o diagnóstico para o mal que me aflige nos últimos anos. Não é nada de muito grave, mas ninguém gosta de saber que tem um problema crónico: Doença de Crohn.



Sinto uma espécie de estranho alívio por finalmente saber a causa da minha anemia, perda de peso (cheguei aos 47kg), cansaço, problemas intestinais, febre, entre outros.

Já estou a ser medicada e assim será... bem, para sempre. A doença não tem cura e é auto-imune, o que significa que o meu organismo é o próprio responsável por esta condição que provoca uma inflamação grave do intestino. Todos os outros sintomas são consequência da inevitável anemia.



Estou a tomar anti-inflamatórios e irei em breve tomar imunossupressores. Esses é que me assustam um pouco: são á base de corticóides e irão diminuir a resposta do meu sistema imunitário, tornando-o mais susceptível a infeções (doente já eu ando, pá!). Um aumento de peso também é possível, além de outros efeitos secundários...



Não tenho andado muito feliz com isto, como é óbvio. Não tenho tido vontade de actualizar o blog, mas agora sinto-me com mais força e até irei fazer posts diferentes do habitual.



Até já!









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