A pedido de muitas famílias (sensivelmente uma por semana), venho mostrar os resultados da minha cirurgia feita há 18 meses e que consistiu na correção percutânea bilateral Hallux Valgus (vulgo, joanetes).
Na altura, publiquei dois posts sobre a cirurgia e o primeiro mês de recuperação, onde descrevo o tipo de cirurgia e aspectos relacionados com a mobilidade, dor e recuperação.
Neste post pretendo mostrar os resultados que parecem ter deixado curiosas imensas leitoras que me contactam frequentemente e que sofrem do mesmo mal. Também o faço por julgar ser importante divulgar este tipo de intervenção e a minha experiência pessoal no que toca a esta mazela ortopédica.
Quando olho para as fotos que tirei antes da cirurgia é que reparo no grau de deformidade que os meus pés já apresentavam! Lembro-me que a deformação avançou bastante nos últimos dois anos que antecederam a cirurgia: os meus dedos grandes começavam a sobrepor-se e todos os outros pareciam estar deformados também. A imagem seguinte mostra uma imagem dos meus pés em carga (de pé). É possível ver-se no pé direito pequenos ferimentos causados pelo roçar dos sapatos.
Esta outra imagem à esquerda mostra os meus pés em repouso. É bem notória a diferença e a deformação até parece menor em relação à imagem anterior.
A imagem à direita mostra o 15º dia após serem removidas as ligaduras e pontos. Foi necessário usar os espaçadores em silicone por um mês (e sempre fixos com fita adesiva). Este é um dos motivos que me leva a aconselhar a fazer esta cirurgia durante os meses mais frios: poderá usar calçado mais fechado e confortável, e ninguém reparará sequer que se submeteu a esta intervenção. Escapará ainda ao calor que as ligaduras que mais parecem umas pantufas provocam (e que só serão removidas após 12 dias).
No meu caso pessoal, as dores da correção foram diminuindo gradual e lentamente. Após o primeiro mês já me foi possível caminhar normalmente e levar uma vida perfeitamente normal, mas sentia um pouco de dor ao flectir (colocar em pontas de pés, por exemplo) e ao saltar. Penso que foi por volta dos 4 ou 5 meses que deixei de sentir qualquer desconforto que me lembrasse a cirurgia. Cada caso é um caso e os tempos de recuperação poderão ser um pouco diferentes de pessoa para pessoa. Eu considero que tive uma óptima recuperação e sinto-me privilegiada por ter conseguido começar a conduzir em trajectos curtos logo a partir do sexto dia da cirurgia.
Devo sublinhar que tanto o lado estético como a parte motora estão agora a funcionar muito melhor. Já consigo calçar todo o tipo de sapatos sem estes me causarem feridas por ter o pé muito largo, assim como fazer longas caminhadas sem me começarem a doer a zona deformada do dedo grande, tornozelos e até as tíbias. Era um problema que afectava a minha marcha a vários níveis.
Esteticamente, foi uma grande melhoria também, e da cirurgia percutânea apenas restaram 3 marquinhas em cada pé (que mal se vêem).
Conforme me foi muitas vezes inquirido, adianto que as custas deste tipo de cirurgia poderão ser inteiramente comparticipadas pelo estado (pelo menos por enquanto...). No meu caso, contactei o meu médico de família e expus o meu problema. Foi-me emitida uma credencial para um Hospital Ortopédico para onde fui encaminhada, e onde apenas paguei alguns exames como análises e radiografias e três consultas (pré-cirurgia, pós-cirurgia e remoção de pontos). Creio que gastei menos de 35€ nestas despesas. A cirurgia feita no privado pode custar 10 000€...
Em relação ao número que calçava, esse manteve-se. Pensei que ao ficar com os dedos mais direitinhos isso pudesse significar que o pé ficava ligeiramente maior mas não, pelo contrário! A correção que é feita desbasta um pouco do osso e o meu dedo ficou efectivamente mais curto, mas não o suficiente para calçar um número inferior.
E agora já posso calçar todo o tipo de sandálias sem estas me magoarem ou assentarem de um modo estranho... Agora o meu pé já não fica tipo splat! quando estou de pé:
É aconselhável consultar um médico quando os primeiros sinais de desconforto se começam a manifestar ao invés de deixar que a situação se agrave. No meu caso, a deformação e incómodos começaram a instalar-se lentamente a partir dos meus doze anos, graças a essa bonita dádiva que é a herança genética. Passados 20 anos submeti-me à correção e não poderia estar mais contente com os resultados e toda a experiência. Aconselho vivamente a quem sofrer do mesmo mal.
Boa semana!
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